Como o distanciamento mudou a relação com o paciente?

Com o final da pandemia chegando, todos começam a ver a forma como o distanciamento afetou a relação com o paciente. Antes uma tendência que crescia lentamente, recursos envolvendo tecnologia e dando mais autonomia ao paciente conquistaram seu lugar. O maior incentivador desse movimento foi a tecnologia: uma pesquisa da FGVCia mostrou que a pandemia antecipou a migração de setores inteiros para dispositivos digitais, apontando a aquisição de 4 celulares para cada televisão no período pesquisado. O IBGE ainda apontou um crescimento constante nos últimos anos na adesão mobile. Motivado pela adesão de mais faixas etárias (incluindo os mais idosos) e em diversas faixas habitacionais (como as áreas rurais), o Brasil registrou 234,04 milhões de acessos móveis em 2020.

Como a pandemia mudou o cenário da relação com o paciente?

Essa imensa adesão, por um lado, apoiou o setor de saúde na adaptação de práticas e técnicas nos ambientes hospitalares. Por outro, apresentou uma alternativa que agora será mais requisitada em um ambiente pós-pandemia. A pandemia, em si, foi outro fator motivador para a adesão tecnológica por parte de mais camadas sociais. A CNN Brasil apurou que 7 em cada 10 brasileiros conhecem alguém que foi vítima da COVID-19, em um dos eventos mais catastróficos para o ramo de saúde no Brasil. Ainda que com alguma resistência, as medidas de precaução e o medo da contaminação levaram as pessoas a recorrerem a tecnologia para adaptar seus hábitos. Setores como o teletrabalho e o delivery de itens cada vez mais complexos cresceram exponencialmente. Ainda, eles irão observar essa tendência se manter por muito tempo.

Mas e o campo da saúde?

Em meio ao caos provocado pelo surto de pacientes críticos e falta de infraestrutura, o setor de saúde enfrentou ainda mais problemas. Além do desafio de adaptar o acompanhamento e tratamento de diversas classes de pacientes, observou-se uma queda significativa na medicina preventiva. Um exemplo foi a apuração da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, ao observar dados pré e pós pandemia no diagnóstico de cânceres de mama e colo de útero. Foi possível identificar uma redução de 23,4% nas quedas dos diagnósticos, provocados possivelmente pelo receio de realizar exames preventivos no cenário atual. Ou seja, além de se readaptar ao novo cenário, é preciso atrair os pacientes, oferecendo, por exemplo, meios mais seguros para que ele frequente os ambientes de saúde em hospitais e clínicas.

Como isso será feito?

A aproximação da tecnologia será crucial nessa tarefa, intermediando conexões e permitindo novas maneiras de fazer procedimentos antigos. Como vimos, especialistas apontam que ela não será uma medida de contingência, mas uma tendência fixa. Para isso, os órgãos de saúde precisam se adaptar a uma nova relação com o paciente, exigindo uma abordagem mais permeada pela tecnologia. Movimentadas por isso, há anos as healthtechs tem oferecido soluções cada vez mais inovadoras, que com a pandemia ganharam ainda mais evidência (e investimentos). Dessa forma, será crucial entender o contexto da tecnologia no antigo relacionamento com o paciente e cada vez mais investir nela, tanto dentro como fora do consultório. Espera-se que a pandemia não dure mais que um ano, portanto, o tempo para começar a visionar um novo começo, com um novo tipo de paciente, é agora.